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Igreja das Carmelitas




O mosteiro de São João Evangelista pertenceu às carmelitas descalças, razão pela qual o seu templo é, ainda hoje, conhecido como Igreja das Carmelitas. A sua edificação remonta ao início do século XVII, quando D. Brites de Lara, viúva de Pedro de Médicis (filho de Cosme I de Médicis), mandou construir um Paço, concebido para ser a sua residência e, posteriormente, um convento. D. Brites pediu as autorizações necessárias à fundação do convento a D. João IV, mas estas nunca lhe foram concedidas em vida, pois vários membros da sua família estiveram implicados numa conspiração contra o monarca (BELINQUETE, 1996, p. 6). Assim, foi em 1657 que D. Luísa de Gusmão, enquanto regente, permitiu a concretização das disposições testamentárias de D. Brites, entretanto falecida. O seu herdeiro, D. Raimundo de Lencastre, 4º Duque de Aveiro, deu início à adaptação do Paço a convento, e em 1658 as primeiras freiras carmelitas chegam a Aveiro, oriundas de dois conventos de Lisboa (BELINQUETE, 1996, pp. 17-18).

(...)

Na sua organização original, a igreja situava-se do lado oposto do convento, encontrando-se, no meio, o claustro. Contudo, e para que pudesse ser aberta a praça de Marquês de Pombal, a Câmara de Aveiro ditou, em 1904, a destruição de parte das dependências conventuais das carmelitas. Esta questão gerou grande polémica na cidade, chegando mesmo a ser enviada ao Rei uma petição assinada pelos habitantes. Isto, para além dos muitos artigos que a imprensa da época deu à estampa, onde as duas partes esgrimiram argumentos contra e a favor desta destruição do património nacional (NEVES, 1957, pp. 245 e ss.).


A igreja, de planta rectangular, com sacristia no eixo da capela-mor, apresenta uma fachada onde a decoração, quase ausente, se concentra no eixo do portal, de linhas rectas e frontão interrompido por uma cruz, a que se sobrepõe um janelão rectangular e um emblema, este já no frontão triangular que remata a frontaria. No interior, sobressai a talha dourada que reveste paredes e tecto, características das três fases da talha nacional - protobarroca, barroca ou joanina, e rococó.

Assim, e da primeira fase, coincidente com o reinado de D. Pedro II, data a capela-mor, com um retábulo de talha dourada, de grandes dimensões, com nichos definidos por colunas torsas, onde figuram imagens da época imediatamente posterior, ou seja, joanina. As paredes da capela-mor enquadram pinturas com representações de cenas da Vida da Virgem. O tecto, em caixotões de talha, apresenta quinze pinturas com cenas da vida de Cristo.


(...)



Texto:
IPPAR
Imagens: maisaveiro.com
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