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A actual Sé de Aveiro foi, outrora, a igreja do Convento de São Domingos, a primeira instituição conventual implantada dentro do perímetro das muralhas de Aveiro (NEVES, 1996, p.14). Fundado em 1423, em consequência da aparição da Virgem a Afonso Domingos, o Velho, esta instituição de religiosos dominicanos recebeu desde logo a aprovação do Infante D. Pedro, então Duque de Aveiro (NEVES, SEMEDO, ARROTEIA, 1989, p. 63). Já no século XIX, o convento desapareceu quase por inteiro, depois de sofrer vários incêndios, um dos quais, em 1843, de maiores proporções (NEVES, SEMEDO, ARROTEIA, 1989, p.63), sobrevivendo apenas a igreja como testemunho desta casa conventual. Do seu traçado quinhentista pouco ou nada resta, resultando a actual igreja da campanha arquitectónica dos séculos XVI e XVII, unificada pela intervenção decorativa barroca do século XVIII, responsável ainda pela abertura das janelas e da reestruturação do coro alto. Todavia, e tomando em consideração os cronistas da Ordem de São Domingos, até ao século XVII "a fábrica do Convento e Igreja assim era tosca, e apoucada, como de homens pobres, que mais olhavão para o que edificava o Povo no espiritual edifício, que no avultado das paredes (...)" (SOUSA, Frei Luís de, 1977, p.603; NEVES, 1996, p.15). (...) A fachada, de feição maneirista, deverá ter sido remodelada no século XVIII, dado que o portal, com a data de 1719, apresenta uma linguagem claramente barroca, tal como o remate do alçado. Desta composição sobressai a dupla colunata pseudosalomónica que ladeia o portal, o brasão da Ordem Dominicana, e ainda as figuras da Fé, Esperança e Caridade, sobre o referido pórtico. A torre sineira, onde se conserva o sino original, é obra do século XIX, tendo sido construída em 1860. No interior, as capelas laterais remontam a épocas diferenciadas, integrando elementos decorativos de vários períodos, desde o século XVI, como é o caso do túmulo de D. Catarina de Ataíde, falecida em 1551, ou a capela funerária instituída em 1559 por João de Albuquerque, então Senhor de Angeja, e cujo túmulo se encontra actualmente no Museu de Aveiro. Entre os muitos exemplos que poderíamos citar, sobressai, numa das capelas laterais, o retábulo em calcário, do século XVI (1559) e de fabrico coimbrão, que representa a Visitação, os tectos com pinturas de gosto renascentista que ainda se observam nas capelas absidais, ou algumas imagens maneiristas, como a de Nossa Senhora do Rosário. Todavia, muitos dos retábulos apresentam uma linguagem da época barroca, remontando à campanha do século XVIII. (...) Texto: IPPAR Imagens: maisaveiro.com Para ver informações detalhadas clique aqui
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